Sinopse

Ponto org narra a trajetória de personagens à margem da sociedade. O filme é estruturado a partir das buscas dos personagens e de seu olhar crítico para a exclusão social. A ocupação do espaço público das metrópoles por estes cidadãos utópicos será um dos eixos temáticos e narrativos de Ponto org.

Os personagens jogam com/entre fronteiras. A ficção e o documentário, o sonho e a realidade cotidiana, entre estes universos de representação eles transitam. O mundo material e imaginário dos personagens nos é apresentado por imagens de natureza e qualidade distintas.

Bárbara é de São Paulo. Realizadora de cinema e vídeo passa por angustias criativas. Para sair do impasse adota três estratégias. Encontra-se com um grupo de artistas ativistas, com os quais tem um debate tenso sobre o uso da pobreza pelos artistas como assunto tipo exportação. A segunda é uma proposta de parceria com Diamantino jovem de Minas Gerais. Ele é fuçador de tecnologia que desenvolve games. Ele e Bárbara vivem um amor mal resolvido. Sua terceira estratégia é realizar uma pesquisa sobre o olhar de menores infratores e carentes. Entrega câmeras para os meninos Sarney, Bigode e Agnaldinho gravar a cidade.

A curiosidade infantil dos meninos os coloca em situações de perigo eminente. Eles se vêem ameaçados quando voltando para casa de metrô enfrentam um apagão e chuva com vitimas. Ao visitarem com Bárbara a casa da irmã de D. Zilda – uma moradora do Minhocão – que acabou de falecer, questionam a quantidade de bens deixados por ela, mas conseguem ver em seus objetos e nos pombos que freqüentam sua janela o peso da solidão do velho nas metrópoles.

Ao deixarem a casa da irmã de D. Zilda “roubam” enlatados e congelados realizando um banquete com mendigos e com a própria D. Zilda no Minhocão. Ao longo de Ponto org, esta visão idealizada dos meninos é complementada por uma realidade de pequenas infrações como a agressão verbal contundente a D.Zilda, a quem tratavam com carinho por estarem realizando um documentário sobre ela. A transgressão dos meninos ganha imagens fantásticas, digo alucinatórias, quando estes sob efeito de drogas têm uma visão deformada do Minhocão e começam a dar vida aos grafites presentes naquelas paredes.

Em momentos como estes são socorridos por Bárbara e Diamantino que os mantém sob vigilância. Mas a dupla de amigos e criadores tampouco está imune a abalos emocionais e consumo de aditivos químicos. Também são personas instáveis emocionalmente.

Ao longo do filme tentam mostrar-se seguros. Bárbara é referência para D. Zilda e para os meninos. Diamantino é recebido com respeito nos círculos semi-clandestinos de desenvolvedores de tecnologia. Mas no final no filme, os três grupos de visões: de Diamantino, de Bárbara e dos meninos entrega-se a experiências com drogas legais e ilegais. A partir deste momento há uma mistura entre dados da realidade e da imaginação. O espectador vê o Minhocão se incendiando e o desespero das pessoas. Este desespero é uma metáfora, uma região de trânsito entre encenação e delírio. É ainda uma imagem bonita e dolorosa do incêndio do viaduto, na verdade no dia seguinte, todos permanecem como sempre foram. Não houve incêndio, a vida continua com suas melancolias e sonhos.

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